A geração Y e o tempo de casa

Fazendo da sua carreira um relacionamento duradouro

Por Timóteo Luis 27/08/2018 - 19:54 hs

Os vários blogs e fóruns de recursos humanos espalhados pela internet afirmam que a geração Y presencia diversas tendências do mercado de trabalho, sendo a mudança constante de emprego uma das principais “táticas” profissionais atualmente. Existem ainda, diversos debates que discutem se o job hopping (termo que li pela primeira vez em um artigo de David K Williams publicado no site da HBR em 2012, que significa “pula-pula de empregos”, em uma tradução livre), é um catalisador do crescimento profissional ou um assassino da carreira profissional. O job hopping é definido pela maioria das fontes como a mudança de emprego com menos de dois anos de vínculo.

Os defensores do fenômeno argumentam que a única forma de se obter sucesso profissional e se sobressair no mercado de trabalho é mudar de emprego. Acredita-se que passar por vários empregos, ter diversas experiências profissionais é sinal de dinamismo e ambição. A intenção, ao mudar constantemente de emprego seria nunca entrar na zona de conforto, sempre buscar novas experiências e encontrar desafios diferentes, evitar com que o empregador pense que o empregado não tem ambição ou vontade de crescer por ter ficado tanto tempo em um só emprego.

O grande problema é que, para o empregador, a ideia que se passa pode ser muito diferente: instabilidade. Uma pessoa que passou por 4 empresas nos últimos 5 anos, pode ser alguém impaciente, que não suportou a pressão do último trabalho, achava o trabalho muito difícil ou tem o dinheiro como única motivação. A maioria dos recrutadores valoriza candidatos estáveis em seus empregos, afinal, as chances de esse empregado sair da empresa em pouco tempo são muito menores.

Por um lado, o turnover (rotatividade de pessoal) gera um custo muito alto para as empresas. Contratar, treinar, desenvolver e premiar pessoas que sairão em menos de dois anos, gerando um ciclo de contratações e demissões, sai caro. Já para o empregado, em um cenário em que o desemprego chega a quase 10% no país, as empresas fazem constantes downsizings e cortes de pessoal em massa, valorizar o seu emprego pode ser a opção mais sensata e segura.

Na verdade, permanecer muito tempo em um emprego pode trazer mais benefícios do que você imagina. Oportunidades de crescimento, promoções salariais e desenvolvimento técnico em determinada área são apenas alguns dos benefícios concedidos àqueles que têm mais tempo de casa.

Além disso, existem duas formas de reconhecimento por tempo de casa muito valorizadas pela maioria dos profissionais: Confiança e influência. O empregador valoriza os empregados que ficam mais tempo com a empresa, vivenciam diversos cenários, atravessam dificuldades e participam de conquistas. Isso gera confiança no empregado e, consequentemente, lhe dá voz ativa para dar opiniões e influenciar na tomada de decisões.

Mesmo diante das constantes mudanças das práticas e tendências do mercado de trabalho na geração Y, para os que buscam crescimento profissional, talvez a melhor opção seja desenvolver um relacionamento estável e duradouro com a sua empresa ao invés de ter pequenos e rápidos encontros durante a trajetória profissional. Esteja com a empresa durante os bons e maus momentos, contribua para o seu sucesso e você será visto como uma pessoa que “veste a camisa”!